Aspectos Emocionais

Por Joseinaide Maria Kuiava Chiarelli
Psicóloga

O fator psicológico tem relação com as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII). Intestinos e cérebro estão em constante "diálogo"; há clara interação e em diferentes proporções. Segundo grupos especializados em atendimento aos portadores de Doenças Inflamatórias Intestinais, essas doenças interagem com o estado psicoafetivo, em maior ou menor grau. A resposta ao estresse recruta mecanismos neurais e hormonais numa tentativa de restaurar ou reforçar o funcionamento normal do corpo. Há uma estreita influencia dos fatores psicológicos nas recaídas da doença. Levantamentos recentes sugerem que as conexões nervosas entre o cérebro e o intestino estimulem as células inflamatórias na parede intestinal. Neste processo as substâncias liberadas incentivam a inflamação e o aumento de bactérias prejudiciais na mucosa intestinal. Desta forma, o estresse pode piorar as crises pelo retardamento de remissão e agressão do forro intestinal.

O aspecto psicológico relaciona-se com a nossa sensação de bem e mal-estar. Alguns podem apresentar sintomas depressivos, de ansiedade e estresse como gatilho para o aparecimento da doença, ou a doença em si pode gerar os mesmos sintomas. O desgaste que são submetidas no seu processo de viver é um dos fatores no desenvolvimento de doença. Essas situações, podem influenciar no curso e na evolução da Retocolite Ulcerativa. Estudos têm demonstrado que algumas pessoas, perante a impossibilidade de representar mentalmente seus conflitos, expressam esse sentimento com o corpo, por meio de sintomas psicossomáticos, dessa forma, compreende-se que o processo de adoecer não ocorre como um evento acidental na vida, mas como resultante de um sistema complexo. É com o trabalho psicoterapêutico que as situações emocionais até então não percebidas, revelam-se presentes nas histórias de vida e são manifestadas sintomaticamente por meio de somatizações. 

Não existe um tipo de personalidade exclusiva atribuída aos portadores de Retocolite Ulcerativa, o que se pode apontar através de observações e percepções clínicas é um perfil de emoções e preocupações comuns, no tocante a estabilidade afetiva, financeira, independência e autossuficiência. No entanto, a Retocolite Ulcerativa poderá impor em determinado momento e de forma transitória uma relação de dependência, provocando alterações na autoestima e segurança, ocasionando mudanças  nas relações familiares, acadêmica, profissional, afetiva e sexual.

A Psicologia tem um papel fundamental no cuidar desses sentimentos e aliviar o sofrimento do portador e seus familiares, contribuindo para compreender e vivenciar os tratamentos, reorganizar a rotina, ressignificar a vida no momento presente. Através de avaliações, escuta técnica e intervenções, o psicólogo busca ouvir, compreender e acolher como cada um está vivenciando o processo de adoecimento. É um tratar da história de vida para além do adoecimento físico.

O trabalho psicoterápico tem como proposta ouvir a subjetividade das queixas e restabelecer um equilíbrio psíquico. Esse trabalho é multidisciplinar e de extrema importância para que cada um tenha uma participação ativa no processo de aceitação de seu diagnóstico e adesão ao tratamento proposto, pois a aliança estabelecida neste vínculo será o alicerce para o sucesso terapêutico.

É sempre fundamental dedicar atenção às características individuais de cada pessoa.  Quando tratamos de seres humanos, não existem fórmulas nem manuais de instrução. Cada um lida de forma diferente com seus conflitos e, quando são envolvidas doenças crônicas, também ocorrerão reações diversas. Mas sentindo-se acolhido e compreendido como um ser único, faz com que consiga lidar de forma equilibrada com seus conflitos e vivência, desta maneira, melhorando sua forma de lidar com a Retocolite Ulcerativa e todas as suas consequências. 

“PRECISAMOS VIVER COM A DOENÇA CRÔNICA E NÃO VIVERMOS PARA ELA”.

 

Joseinaide Maria Kuiava Chiarelli é psicóloga clínica e hospitalar  com abordagem comportamental com o objetivo de auxiliar na busca da qualidade de vida, nos aspectos psicológicos, sociais e adesão ao tratamento, mediante quadro clínico.

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