Aspectos Emocioniais

Por Joseinaide Maria Kuiava Chiarelli 
Psicóloga

A causa da Síndrome do Intestino Irritável é desconhecida. Em muitas pessoas com Síndrome do Intestino Irritável, o trato digestivo é especialmente sensível a vários estímulos. A pessoa pode sentir desconforto causado por gases ou contrações intestinais que não incomodam outras pessoas. Embora as alterações nos movimentos intestinais causadas pela Síndrome do Intestino Irritável pareçam estar relacionadas com contrações anormais do intestino, nem todas as pessoas que sofrem dessa síndrome têm contrações anômalas e, em muitas das que têm, as contrações anômalas nem sempre coincidem com os sintomas. 

Nem sempre a pessoa apresenta os sintomas após um fator que normalmente os desencadearia, e os sintomas frequentemente aparecem sem nenhum fator desencadeante esclarecedor. A maneira pela qual todos os fatores desencadeantes se relacionam com as causas da Síndrome do Intestino Irritável é desconhecida.

O aspecto psicológico está diretamente associado ao nosso bem-estar e ao nosso mal-estar. Alguns pacientes podem apresentar sintomas depressivos, de ansiedade e estresse como gatilho para o aparecimento da doença, ou a doença em si pode gerar os mesmos sintomas. Essas situações, podem influenciar no curso e na evolução de determinadas doenças. 

A Síndrome do Intestino Irritável pode ser provocada por um distúrbio na interação entre o cérebro e o intestino, uma sensibilidade exacerbada aos estímulos intestinais ou uma alteração na microbiota (grupo de microorganismos) da região. Fatores emocionais (por exemplo, estresse, ansiedade, depressão e medo), dieta, medicamentos (incluindo laxantes), hormônios ou pequenos fatores irritantes podem desencadear ou piorar uma exacerbação da Síndrome do Intestino Irritável.

A mente e o corpo interagem de formas poderosas. O sistema digestivo é altamente controlado pela mente (cérebro). O estresse social e psicológico pode ativar ou agravar uma grande variedade de doenças e distúrbios. No entanto, a importância relativa dos fatores psicológicos varia bastante entre diferentes indivíduos com o mesmo problema.
A condição emocional, embora não possa ser considerada diretamente causadora, pode afetar as defesas do sujeito, agravando as patologias. E com o trabalho psicoterapêutico as situações emocionais até então não percebidas, revelam-se presentes nas histórias de vida e são manifestadas sintomaticamente por meio de somatizações. 

A maioria das pessoas, baseando-se na sua intuição ou na sua experiência pessoal, acredita que o estresse emocional pode precipitar ou alterar o desenvolvimento de doenças físicas ainda mais graves. Não é claro como esses fatores de estresse atuam. Entretanto, as emoções podem afetar algumas funções corporais, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a transpiração, os padrões de sono, a secreção de ácidos gástricos e a frequência das evacuações intestinais.

O estresse pode provocar sintomas físicos, mesmo não existindo uma doença física, porque o corpo responde fisiologicamente ao estresse emocional. Por outro lado, o estresse pode causar ansiedade que, por sua vez, ativa o sistema nervoso autônomo e hormônios, como adrenalina, que aumentam a frequência cardíaca, a pressão arterial e a quantidade de suor. A maioria das pessoas com síndrome do intestino irritável notam que, durante momentos de estresse, os sintomas da doença costumam se agravar. No entanto, os pesquisadores defendem a ideia de que o estresse é um fator agravante, mas não uma possível causa que leva ao desenvolvimento da síndrome em uma pessoa.

Estresse, sensação de cansaço físico e mental, preocupações, nervosismo, estimulam contrações (espasmos) no cólon de pessoas com a Síndrome do Intestino Irritável. O cólon possui uma vasta rede de nervos que se conectam com o cérebro. Esta via nervosa coordena o ritmo normal das contrações dos músculos do intestino grosso. Em situações de estresse, ansiedade, esta mesma via pode causar desconforto abdominal.

A interação mente-corpo é uma via de mão dupla. Não só os fatores psicológicos podem contribuir para o início ou o agravamento de vários distúrbios físicos, como as doenças orgânicas também podem afetar a forma de pensar ou o estado de ânimo. 

Tendo em vista, a complexidade da doença, é necessária uma abordagem multiprofissional aos portadores de Síndrome do Intestino Irritável, como o acompanhamento com enfermeira, nutricionista, psicóloga, além é claro, do imprescindível vínculo médico paciente.

O trabalho psicoterápico tem como proposta ouvir a subjetividade das queixas e restabelecer um equilíbrio psíquico. Ao atribuir um significado simbólico à doença, o paciente sente-se mais compreendido em seus conflitos, afetos e dificuldades pessoais, podendo apresentar mudanças favoráveis tanto em seu estado de humor, quanto em sua capacidade de superação e enfrentamento na convivência com qualquer enfermidade, inclusive a Síndrome do Intestino Irritável.

Assim como o trabalho psicoterápico, o vínculo médico paciente é de extrema importância para que o paciente tenha uma participação ativa no processo de aceitação de seu diagnóstico e adesão ao tratamento proposto, pois a aliança estabelecida neste vínculo será o alicerce para o sucesso terapêutico.

Na abordagem do diagnóstico de Síndrome do Intestino Irritável, deve-se evitar relacioná-la às dificuldades psicológicas ou emocionais, pois poderá repercutir um estigma negativo no paciente ou suposta culpa infundada, que de alguma forma, não foi capaz de controlar o seu emocional e ter provocado ou desenvolvido a doença. O que pode ser usado como critério para encaminhá-lo a um profissional de saúde mental é a proposta de oferecer suporte em momentos de angústias presentes em qualquer fase da vida.

Como os mecanismos de instalação da Síndrome do Intestino Irritável são um tanto complexos, por envolverem fatores emocionais, é importante valorizar variações constantes de humor e estados de tristeza e ansiedade extrema, procurando um profissional especializado antes que essas condições tenham reflexo sobre o intestino e mesmo sobre outros órgãos e sistemas mais suscetíveis. 

A Psicologia tem papel fundamental no cuidar dos sentimentos e aliviar o sofrimento do paciente e familiares, contribuindo para compreender e vivenciar os tratamentos, reorganizar a rotina, ressignificar a vida no momento presente. Através de avaliações, escuta técnica e intervenções, o psicólogo busca ouvir, compreender e acolher como cada um está vivenciando o processo de adoecimento. É um tratar da história de vida para além do adoecimento físico.

O trabalho psicoterápico tem como proposta ouvir a subjetividade das queixas e restabelecer um equilíbrio psíquico. Ao atribuir um significado simbólico à doença, o paciente sente-se mais compreendido em seus conflitos, afetos e dificuldades pessoais, podendo apresentar mudanças favoráveis tanto em seu estado de humor, quanto em sua capacidade de superação e enfrentamento na convivência com qualquer enfermidade. 

O trabalho psicoterápico e multidisciplinar é de extrema importância para que o paciente tenha uma participação ativa no processo de aceitação de seu diagnóstico e adesão ao tratamento proposto, pois a aliança estabelecida neste vínculo será o alicerce para o sucesso terapêutico.

É sempre fundamental dedicar atenção às características individuais de cada paciente. Só dessa forma é possível dar a ele um suporte psicológico e emocional. Quando tratamos de seres humanos, não existem fórmulas nem manuais de instrução. Cada pessoa lida de forma diferente com seus conflitos e, quando são envolvidas doenças crônicas, também ocorrerão reações diversas. Mas sentindo-se acolhido e compreendido como um ser único, faz com que o paciente consiga lidar de forma equilibrada com seus conflitos e vivência, desta maneira, melhorando sua forma de lidar com a Síndrome do Intestino Irritável e todas as suas consequências.

“PRECISAMOS VIVER COM A DOENÇA CRÔNICA E NÃO VIVERMOS PARA ELA”.

 

Joseinaide Maria Kuiava Chiarelli é psicóloga clínica e hospitalar  com abordagem comportamental com o objetivo de auxiliar na busca da qualidade de vida, nos aspectos psicológicos, sociais e adesão ao tratamento, mediante quadro clínico.

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